moimenta

história

Moimenta terá sido fundada no castro da Cigadonha, a Sul. Segundo Vicente Martins, é difícil saber se a povoação actual foi fundada durante a Romanização ou se só depois da Reconquista Cristã é que os habitantes da Cigadonha começaram a construir casas fora e um pouco a Norte e Noroeste da Cigadonha.

Através das Inquirições de D. Afonso III, de 1258, parece poder concluir-se que Moimenta terá pertencido sempre ao Reino de Portugal. No entanto, no reinado de D. Sancho I, o povoador, que reinou entre 1154 e 1211, em ano que não é possível precisar mas que é certamente posterior a 1187, pois neste ano D. Sancho I deu foral a Bragança e Moimenta ainda pertencia a este concelho, um tal D. Fernando Peres terá doado Moimenta à Igreja de Santa Maria do Porto, do reino de Leão, ficando na posse da ordem de Uclés ou São Tiago de Espada, durante muitos anos, talvez até cerca de 1400, altura em que se deu o recuo da fronteira por força do tratado de Segóvia.

Segundo a tradição, D. Afonso III esteve em Moimenta, por volta de 1253, na altura em que viveu em Chaves, onde casou. Terá permanecido na actual Casa dos Cardosos (Rua da Urze, junto à Igreja) que, nesse tempo, era a residência paroquial, ocupada pelos Monges de Uclés. Cada vizinho deu uma galinha ao rei, além de outras coisas. E D. Afonso III terá concedido aos moimentanos vários privilégios, consagrados numa carta de foro ou de privilégios.

Mas o Padre Francisco Afonso (ver bibliografia), apoiado nas referidas inquirições de 1258, contraria essa tradição, concluindo que, nesse tempo, Moimenta seria apenas uma "villa" rústica, que não era cabeça de paróquia, não tinha igreja própria ou qualquer ermida ou capela, visto ter sido reguengo, e por isso, não devidamente povoada. Ora se não era paróquia e não tinha igreja, também não teria a residência paroquial a que a tradição se refere.

O aforamento concedido por D. Afonso III foi confirmado mais tarde por D. Manuel I em 1514 e, depois, por D. João V em 1732 e por D. João VI em 1819, pelo qual os moimentanos ficaram isentos de todos os encargos do concelho por serem reguengueiros da Casa de Bragança, a quem pagavam 96 alqueires de pão e uma galinha por pessoa.

Em 1884 os espanhóis reclamaram Moimenta e seu termo como pertencendo ao reino de Leão. Então, foram inquiridas várias testemunhas, tendo ficado provado que Moimenta pertencia e era reguengueira da Coroa Portuguesa.

Segundo José Hermano Saraiva, citado por Vicente Martins, em 1641, em plena Guerra da Restauração, os Castelhanos atacaram a aldeia de Moimenta. Depois de uma defesa furiosa, 70 moradores refugiaram-se na igreja, que tinham fortificado e onde continuaram a combater. Vencidos por fim foram todos passados a cutelo porque não houve nenhum, excepto uma velha, que pedisse misericórdia ou dissesse "viva el-rei D. Filipe".

O tratado dos limites de 29 de Setembro de 1864 estabeleceu definitivamente a fronteira entre Espanha e Portugal no termo de Moimenta. O artigo 15 desse tratado define que desde o Penedo dos Três Reinos irá a raia à Pedra Carvalhosa, atravessando depois o rio Tuela no porto da Barreira, e subindo até próximo do forno da Cal.

Para mais pormenores consultar MARTINS, João Vicente – Moimenta da Raia : uma aldeia comunitária em evolução e mudança. Braga, 1995, capítulo 2, única fonte destes apontamentos.